segunda-feira, 10 de agosto de 2009
No silêncio da noite
Não...Não era tua respiração...Era o vento...
No silêncio da noite, vejo o brilho dos teus olhos...
Não...Não eram teus olhos...Era o brilho da lua...
No silêncio da noite, ouço o teu corpo roçar no meu...
Não...não era teu corpo...Era a água a bater nas pedras...
No silêncio da noite, sinto a tua falta...
No silêncio da noite quero sentir o calor do teu corpo ...
Como a chama de uma lareira que arde para sempre.
Desejo-te aqui ao pé de mim... no silêncio da noite!
Instinto
Diante de ti como um espírito
E marcar o teu corpo com beijos
Na mistura de devaneios te mostrar o meu mais
puro instinto.
Acariciar os teus cabelos,
nunca parar , ao seguir os teus apelos .
Apertar tuas ancas, sussurrar nos teus ouvidos,
Morrer no teu corpo, renascer no teu sexo.
Criando outra alma dentro da tua,
Depois dormir tranquila,
Em paz com o eterno, feliz com o mundo,
Os olhos sorrindo e a calada certeza
de que não existe
na vida ou na morte
alegria maior, nem amor mais profundo que o nosso.
Sinto-te no meu corpo
Toca-me e arde como se fosse
uma bola de fogo que me consome.
E mesmo que eu não queira
Induz-me a jogar o teu jogo.
Entorpece-me os sentidos,
Abafa-me os gemidos
Que poder é esse???
Que sedução devassa,
é essa que sinto sempre
que tu me abraças???
Só de te abraçar arrepia-me a pele,
Como choques térmicos.
rendo-me pacifico aos teus
desejos hipotéticos.
Mas sempre mais e mais
como num crescendo sentimento,
embarco na tua fantasia
e perco-me no teu corpo.
Insónia
Uma tentativa de nossos instintos mais profundos,
de nos readaptarmos ao nosso ciclo de actividade natural, a noite.
Sinto-me viva à noite.
Sinto meu corpo, a querer ser livre para sair e correr pelas sombras,
voltar às origens viver como a criatura nocturna que sempre fui e sempre
vou ser, por mais que os raios do sol me furem a luz da lua irá
acolher-me e preencher os ferimentos deixando-me cada vez mais forte.
Por isso continuo enfrentando o dia, para que depois eu possa viver a noite como
noite como aquela em que um dia te encontrei para sermos felizes na imensidão da vida.
Desejo
o teu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.
Brisa
pensamentos fora do tempo
sentimentos deslocados
são doçuras vãs,
que me adornam a alma
torcida sobre a desesperança
e apaziguada por palavras amigas,
que me tocam o coração,
e, suavemente me embalam
como se fossem feitas de brisa...
Até ao amanhecer
Os teus braços envolvem-me com firmeza
As tuas mãos percorrem a minha pele macia
As nossas línguas provam o nosso amor
O teu corpo entrega-se ao prazer.
Suavemente entras em mim lentamente
Deslizando avanço e toco no teu mais íntimo ser
Um calafrio percorre o meu corpo e amamo-nos
... juntos até ao amanhecer.
Ficamos quietos a saborear o momento
Vejo o teu rosto iluminado com um sorriso
Vejo o desejo de quem quer mais
Então eu prometo ser tua para sempre.
(... ... ...)
porque bates ainda?
Morre! Morre!
Quero-te enterrado.
Pára, Silencia-te!
Não quero mais sofrer!
Morre! Morre!
Quero-te enterrado
Alma Gémea
Entraste tu em minha vida
e como que feito querubim,
me recuperaste a esperança perdida...
Alma gémea, parte de mim!
Em teus olhos cor de mar, cor de paixão,
em teu sorriso sem fim,
Vejo o meu destino, o meu coração...
Alma gémea, parte de mim!
Por ti sinto o céu cantar,
a luminosa lua de marfim...
E em ti aprendi de novo a sonhar.
Vieste a meu mundo trazer a calmaria,
Para eu logo a quebrar,
serena, louca, quem já nada teme,
vivo em cada momento a tua companhia.
E sinto-me como um barco a quem deste leme.
Alma gémea, de beleza sem fim...
Tu
imergiste vindo da multidão
em minha vida um sonho surgiu
a partir da solidão.
em tuas palavras vivi!
consegui chorar, gritar!
por para fora o que sofri
e quem sabe talvez amar.
enganos mil, nos céus fadados,
deixa-me sentir, sonhar,
ilude-me, finge que sou amada
e talvez passe a sorrir, como se fosse feliz
Se a doce ilusão do amor me acarinhar.
talvez possa esquecer tudo o que fiz.
Desejos
desejo possuir algo que não existe
quero algo para mim apetecível
de ti que nunca me viste.
Quero amar ter esperança
quero viver, esperar!
Quero de novo ser criança
quero de novo acreditar!
Desengana-me.
Solidão esta que me domina
e a quem a dor venera...
As lágrimas a já não me saírem
meu coração me abomina,
e as pétalas de minha alma a caírem.
Passageira do vento
brisas ténues, com medo de me tocar
o vazio em mim traz quereres serenos
e olho então este mundo com pesar
sou louca? que seja! quero com as estrelas dançar!
que o coração me doa ou expluda de felicidade
quero cair, quero aprender a voar
num ventre de desinibida cumplicidade...
Foi assim que vos encontrei
habitantes também deste mundo de tormento
e assim foi também que me tornei
mais uma passageira do vento....
Grito de revolta
Falo sobre mim
Não por egocentrismo ou falta de imaginação.
Falo sobre mim e para mim, na esperança de algo mudar.
Indigno-me com o conformismo;
O meu conformismo e o conformismo dos outros.
Deixo aqui o meu apelo:
Fora com a vulgaridade e essa imbecil expressão de conformismo.
Fora com o torpor preguiçoso das almas e com a tranquila inactividade dos espíritos.
Fora com essa renuncia que transpira dos teus braços caídos, das tuas mãos dormentes e do susto dos teus olhos baços.
Fora com a indecisão em que tropeçam.
Porquê sufocar esse grito que nasce em ti ?
Deixa-o agigantar-se até rasgar as paredes escuras do teu medo.
Porquê apagar essa lava que te incendeia o sangue?
Deixa-a alastrar e fundir-se.
Deixa-a fazer do teu sangue um tormento, para que não possas mais dormir à sombra do teu egoísmo.
Não temas, vai.
Entra no fragor da batalha. Abre caminho por entre mortos e vivos.
Despoja-te dessa máscara burlesca com que pretendes esconder a tua verdade.
Leva como únicas armas, as mãos cheias de amor.
Tens sede de justiça ?
Então porque esperas ?
O mundo precisa de ti.
A vida só será vida quando souberes aprender-lhe o sentido e a construíres
com o teu suor.
Sê canto de vitória, bandeira de liberdade na tua luta contigo mesmo e com os outros.
Sê flor na água estagnada do pântano. Sê estrela na noite escura de ideais.
Claro que todos nós recuamos, sim.
Mas apenas para irmos mais além e para de um salto galgarmos o abismo das nossas fraquezas, a fronteira das nossas limitações.
Doem-nos os estilhaços da luta que travamos. Ardem-nos os olhos da poeira e lágrimas. Amarga-nos o sabor da possível derrota.
Dói-nos o escuro da possível escuridão.
Ah! mas antes isso! Antes a alegria ensanguentada da subida ao tédio da renúncia.
Antes isso do que ficar sempre cá embaixo, a olhar para cima.
Mesmo declarando tudo isto, no gume do silêncio, eu respiro a amargura da renúncia. apertam-me os braços da solidão.
Engulo um sufoco de gritos que se estilhaçam no vácuo.
Rebentam-me os olhos de lágrimas.
Os lábios forçam o sorriso confiante de quem acredita. O cérebro maquina explicações para essa absurda imagem de angústia e de revolta.
Sei que um dia, cansada de toda esta luta que descrevi, hei-de ser feliz.
Vou querer risos de crianças e pingos do ar.
Vou querer ramalhetes de estrelas desfolhando-se pelo ar.
Pedações de sol caindo do céu, em jorros de luz.
Vou querer bailados fantásticos de cores.
Vou querer cânticos suaves, como o murmúrio das fontes e o mistério rumoroso do mar.
Vou querer vida e o amor numa promessa de realidade !
