segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Grito de revolta

Falo sobre mim

Não por egocentrismo ou falta de imaginação.

Falo sobre mim e para mim, na esperança de algo mudar.

Indigno-me com o conformismo;

O meu conformismo e o conformismo dos outros.

Deixo aqui o meu apelo:

Fora com a vulgaridade e essa imbecil expressão de conformismo.

Fora com o torpor preguiçoso das almas e com a tranquila inactividade dos espíritos.

Fora com essa renuncia que transpira dos teus braços caídos, das tuas mãos dormentes e do susto dos teus olhos baços.

Fora com a indecisão em que tropeçam.

Porquê sufocar esse grito que nasce em ti ?

Deixa-o agigantar-se até rasgar as paredes escuras do teu medo.

Porquê apagar essa lava que te incendeia o sangue?

Deixa-a alastrar e fundir-se.

Deixa-a fazer do teu sangue um tormento, para que não possas mais dormir à sombra do teu egoísmo.

Não temas, vai.

Entra no fragor da batalha. Abre caminho por entre mortos e vivos.

Despoja-te dessa máscara burlesca com que pretendes esconder a tua verdade.

Leva como únicas armas, as mãos cheias de amor.

Tens sede de justiça ?

Então porque esperas ?

O mundo precisa de ti.

A vida só será vida quando souberes aprender-lhe o sentido e a construíres

com o teu suor.

Sê canto de vitória, bandeira de liberdade na tua luta contigo mesmo e com os outros.

Sê flor na água estagnada do pântano. Sê estrela na noite escura de ideais.

Claro que todos nós recuamos, sim.

Mas apenas para irmos mais além e para de um salto galgarmos o abismo das nossas fraquezas, a fronteira das nossas limitações.

Doem-nos os estilhaços da luta que travamos. Ardem-nos os olhos da poeira e lágrimas. Amarga-nos o sabor da possível derrota.

Dói-nos o escuro da possível escuridão.

Ah! mas antes isso! Antes a alegria ensanguentada da subida ao tédio da renúncia.

Antes isso do que ficar sempre cá embaixo, a olhar para cima.

Mesmo declarando tudo isto, no gume do silêncio, eu respiro a amargura da renúncia. apertam-me os braços da solidão.

Engulo um sufoco de gritos que se estilhaçam no vácuo.

Rebentam-me os olhos de lágrimas.

Os lábios forçam o sorriso confiante de quem acredita. O cérebro maquina explicações para essa absurda imagem de angústia e de revolta.

Sei que um dia, cansada de toda esta luta que descrevi, hei-de ser feliz.

Vou querer risos de crianças e pingos do ar.

Vou querer ramalhetes de estrelas desfolhando-se pelo ar.

Pedações de sol caindo do céu, em jorros de luz.

Vou querer bailados fantásticos de cores.

Vou querer cânticos suaves, como o murmúrio das fontes e o mistério rumoroso do mar.

Vou querer vida e o amor numa promessa de realidade !

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